terça-feira, 28 de julho de 2009

Sobre garotos.

Terça-feira, 28 de Julho de 2009


Bem, como eu já falei aqui sobre alguns garotos, acho que devo explicar como é a minha vida sentimental, o que eu penso e sinto e coisas mais.

Voltando à minha infância (estou terrível hoje), meu primeiro amor platônico foi pela Susie. Gostava tanto dela que coloquei o nome do meu coelhinho (macho) de Susie. Foi o bicho que eu mais amei, quando eu joguei ele no chão e a perna dele quebrou eu sofri com ele! E ele teve uma morte tão trágica, que me dói o coração até hoje. Mas voltando à Susie, nós trocávamos cartas românticas. No aniversário de 9 anos dela eu escrevi uma carta de 18 metros e meio para ela. Mas um dia a gente cresceu, ela reprovou, e não estudamos mais juntos. Foi o fim do mundo para mim, que perdi o contato com a garotinha mais linda da Oak School.

Quando eu fiz 10 anos, conheci Samantha e Luriah (pode rir do nome, é engraçado mesmo). As duas gostavam de mim ao mesmo tempo e viviam brigando por minha causa. Eu nunca intendi como eu conseguia que garotas gostassem de mim, eu não era um tipo de garoto por que as meninas se atraiam. Mas aconteceu. No fim das contas eu nunca gostei de nenhuma delas.

Quando eu entrava na Midle School, mais precisamente no fim do primeiro ano, a turma interpretou o musical da Bela e a Fera. De inicio eu ia interpretar o Lumière, mas eu não fazia o perfil de castiçal. Então eu fiquei sem papel, ia interpretar um arbusto. Mas como nenhum menino quis fazer a Fera, me obrigaram a fazer e eu tive que decorar todas as músicas, ainda tenho na cabeça: “Tale as old as time, tune as old as song”. Foi por esse motivo que eu me apaixonei pela segunda vez, pela Bella. Mary Ann, era o nome dela, nunca vi menina mais linda (mentira, havia várias, mas eu gostava só dessa) ela tinha os cabelos loiros e compridos e olhos verdes, quando ela sorria eu não conseguia olhar para mais nada, e foi por esse motivo que eu tropecei no meio da apresentação. Ficamos amigos, Mary Ann e eu, íamos e voltávamos juntos da escola, tomávamos sorvete juntos. Mas quando eu precisava assumir o papel do menino que gostava dela, eu não conseguia, sempre fui muito tímido.

E você deve estar se perguntando, se o título é sobre garotos, por que diabos eu estou falado de garotas? Tenha paciência porque eu preciso contar desde o inicio.

Como eu dizia, sobre Mary Ann. Tomei coragem e a convidei para ir ao parquinho comigo. Até que o momento mais perfeito chegou. Estávamos parados no alto da roda gigante, só nós dois, quando eu perguntei se eu poderia beijá-la. Ela só respondeu que se eu tetasse ela me jogaria la de cima. E então terminou meu amor por ela. (Eu nunca gostei dela mesmo, hum)

Foi co 13 anos que eu finalmente beijei uma garota. Christina, era 2 anos mais velha que eu, foi ela que me beijou, não o contrario. Foi minha primeira namorada, durou uns meses, até que ela me traiu com o time de futebol inteiro.

Aos 14 anos, eu eu comecei a entender umas coisas que eram completamente desorganizadas na minha abeça. Eu sentia atração por meninos. Pensava que era uma coisa normal até não saber o que isso significava e pesava que todos os meninos eram iguais a mim. Mas não entendia como eu conseguia achar o meu pior rival da escola atraente. Ele era completamente narcisista, muito mais que eu, e seu nome era tão sugestivo: Adonis. Nunca gostei dele. Mas achava ele lindo.

Nesse mesmo ano, conheci outra garota, Jessica, ou Jessy, como era pra mim. Então eu soube pela primeira vez como era estar com uma mulher de verdade. Não fiquei surpreso. Embora tenha sido bom, acho que não me senti como um garoto deveria se sentir.

Foi quando o pior (ou nem tão ruim assim) aconteceu. Eu entendi o que eu era: gay. Para mim foi o fim do mundo. Como eu lidaria com isso?

Minha primeira decisão foi: “vou esconder isso para sempre e ninguém nunca vai saber, e eu vou casar com uma mulher e ter filhos (adotados)”.

Escondi isso por anos de todas as pessoas. Até que, com uns 17 anos eu consegui contar para a minha prima e melhor amiga, Alice. Depois disso fiquei mais confiante e contei para as pessoas qu eu mais confiava (lembra do que eu disse de ser desapontado por quem eu mais confiava? Foi o que aconteceu e a coisa se espalhou).

Eu tinha 14 anos, se me lembro bem, quando eu amei pela primeira vez um garoto, aliás, amei pela primeira vez de verdade mesmo e nunca sofri tanto por não conseguir tê-lo. Emmet, eu nunca vou me esquecer desse nome. Ele tinha um “romancezinho” escondido com nossa professora de esportes, e aquilo me matava por dentro. Ele foi o meu melhor amigo enquanto eu o ajudei com nossa professora. Quando ele não precisou mais da minha ajuda, não nos falamos mais. Mas eu superei.

Com 16 anos, eu já morava no Brasil. Veio para minha cidade um menino de São Paulo, ele passou as férias de verão aqui. Ficamos amigos, e eu nunca me senti tão bem com uma pessoa como me sentia com ele. Ele ficava na minha casa o dia todo e as vezes dormia aqui. O nome dele era Glauco. A gente sempre tinha algo sobre o que conversar, filmes para ver, e as vezes íamos nadar. Até que as férias acabaram e ele se foi. Chorei uma semana. Um ano e meio depois ele voltou, e eu ainda sentia a mesma coisa por ele, mas não foi tão intenso quanto o que eu senti por Emmet. Somos amigos até hoje.

Com 17 anos conheci Túlio no pré vestibular. Se eu soubesse de tudo que aconteceria, eu nuca teria feito pré vestibular. Esse foi o capitulo mais doloroso da minha vida.

Eu não conversava muito com Túlio. Minha opinião sobre ele era muito ruim. Ele era tudo o que eu não gostava em uma pessoa: arrogante, estupido, machista e mentiroso. Mas era também lindo, muito bem vestido e tinha um Cross Fox amarelo. A primeira vez que nos falamos foi quando ele me pediu ajuda com o Inglês. Umas 3 vezes por semana depois da aula, eu ia com ele pra casa dele estudar Inglês. Não gostava muito e não me sentia muito bem lá. Os pais dele eram perfeitos, e isso me causava um pouco de inveja.

Uma tarde de sexta-feira, não estávamos concentrados em nada. Então fomos ver um filme. Foi a primeira vez que eu fiz um “programa de amigo” com ele. Era um filme de suspense, Protegida por um Anjo, filme muito bom por sinal. O filme acabou e eu disse que precisava ir. Ele me segurou pelo braço e me puxou de volta para o sofá e me pediu pra ficar. Eu fiquei com medo dele naquela hora, e quando eu perguntei o porquê, ele me beijou.

Por alguns segundos, me senti incrivelmente bem (senti como se aquele tivesse sido o primeiro beijo de toda a minha vida), mas quando me lembrei o que eu estava fazendo, entrei em desespero e escapei dele. Nunca passou pela minha cabeça o Túlio ser gay. Mas era.

Ele me pediu desculpas e pediu que eu não contasse aquilo para ninguém, e é claro que eu não ia contar, eu estava envolvido totalmente quanto ele no fato.

Ele sumiu do cursinho, e eu não vi ele por muito tempo. Até que um dia eu cheguei e vi o cross fox amarelo estacionado. Nesse dia eu não assisti aula, não tive coragem pra entrar. Fiquei andando pelo parque pensando em como eu iria fazer para evitá-lo. Mas não consegui pensar em nada. E no outro dia lá estava ele. Não nos falamos durante a aula. Quando acabou a aula de química, eu estava desesperado. A turma toda saiu e eu fiquei sozinho la dentro com o professor terminando uns exercícios. Quando eu sai, lá estava ele sentado na escada. Meu coração bateu tão rápido e tão lento ao mesmo tempo que eu quase tropecei e cai pela escada. Ele disse oi, e me pediu pra ir com ele até a casa dele porque ele queria conversar comigo. Eu fui, tremulo.

Quando cegamos lá entramos no quarto e ele chorou. Não entendi nada. Fiquei sentado na cama esperando ele falar algo e ele não dizia. Me levantei e disse que iria embora, e ele me segurou e disse pra eu não ir porque ele me amava. Fiquei com vontade de rir, nunca na minha vida eu ia imaginar um homem, chorando dizendo que me amava.

A gente acabou ficando de novo, e todas as tardes eu ia com ele pra casa dele.

Todos os dias eu recebia torpedos no celular dele dizendo que estava com saudades, as vezes 5 minutos depois de nos despedirmos. Quando me dei conta, eu estava completamente apaixonado por ele, e a cada dia que passava, eu ficava mais.

Era incrível pra mim aquela sensação, era a primeira vez na vida que eu estava com quem eu amava.

As férias de inverno estavam chegando, e a turma do cursinho fez uma festa. Eu e Túlio não nos falamos muito durante a festa, nunca aparentamos sermos amigos. A festa acabou e eu ia dormir na casa ele. Fomos embora. Chegamos por cerca das 2 da manhã e fomos ver um filme. Quando eu parei pra pensar, estávamos agarrados um ao outro, e essa foi a primeira vez que eu fiz sexo com um menino, mas detesto falar desse momento como se fosse uma coisa comum, como ficar com um menino. Acredito que sexo todo mundo faz, mas acho que pouca gente sente o que eu senti por estar com a pessoa que mais me importava naquela época.

Estava de férias, Marie decidiu que iriamos passa-las em Newark, fiquei completamente eufórico de felicidade e ao mesmo tempo triste por ficar o mês inteiro sem Túlio. Mas sei que ele ia entender. Por causa do fuso horário, a diferença entre a hora de Newark e de Green Gay era 3 horas. Eu acordava quase de madrugada todos os dias para falar com Túlio pela internet de manhã no Brasil.

Mas quando eu voltei, ele não era mais o mesmo. Os torpedos falando que me amava pararam de chegar. Ele ficou distante e eu comecei a me desesperar.

Em casa eu passava por problemas. Joshua e Claire estavam brigando pela guarda de Claire. Eu estava completamente desesperado em pensar que minha irmã poderia ir para o outro lado do mundo e eu nunca mais a ver como aconteceu com Joshua.

Foi no pior momento possível que Túlio me disse que não queria mais nada. Ele havia feito vestibular em um outro estado e estava se mudando.

Me senti como se o planeta tivesse começado a girar para o lado contrário
.
Problemas em casa, e problemas com minha vida pessoal. Eu via Marie chorar pelos cantos todos os dias, e ela sempre foi forte, nunca chorou. E eu me preocupei de verdade com isso. Eu não podia deixar que ela percebesse que eu estava mal. Mas quase nunca conseguia. Eu perdi a vontade de comer (e olha que comer é a única coisa que eu sempre tenho vontade de fazer), quase não saia do quarto e ficava ouvindo músicas que me deixavam bem pior para ver se eu sofria mais e assim o sofrimento parasse mais rápido, mas não adiantou.

Um dia resolvi falar com Túlio pela internet. E por uns dias, tudo parecia ser como antes. E combinamos que eu iria até a cidade onde ele morava agora para vê-lo. Eu economizei por um semestre inteiro, me matando de tristeza, só saindo de casa para a faculdade.

F
oi em um feriado no meio do semestre que eu fui para São Paulo. E não acreditei quando eu cheguei lá. Túlio tinha desaparecido, nem apareceu para me buscar na rodoviária, e eu tinha viajado 12 horas de ônibus só para vê-lo. Isso foi o que faltava para eu ver que ele não sentia absolutamente nada por mim.

Peguei as minhas coisas e fui comprar uma passagem de volta para casa. A partida só seria 14 horas depois e eu tive que passar a noite acordado na rodoviária.

Voltei para casa e Marie ficou surpresa, pois eu havia dito que só voltaria 3 dias depois. Não consegui dizer nada e fui para o meu quarto. Fiquei dois dias inteiros sem sair de lá, só ia ao banheiro. Marie ficou preocupada com minha situação e eu não poderia contar o que estava acontecendo sem acabar com o resto de forças que restava nela.

Certa noite, eu fui dormir, acordei uns 40 minutos depois, e sai pelado enrolado no cobertor e corri em direção ao lago que havia ao lado do estábulo. Claire havia visto e gritou Marie que foi correndo atrás de mim, mas não me impediu de pular no lago. Coloquei a cabeça dentro da água e não tirei, ela gritou por socorro e o homem que cuidava dos cavalos me tirou la de dentro.

No dia seguinte eu comparecia à minha primeira seção com uma psicóloga, que até hoje me receita florais. Me encaminhou para um psiquiatra que descobriu que eu sou bipolar.

Semanas depois, eu parecia visivelmente bem. Mas meus remédios me faziam dormir o dia todo, eu só acordava para estudar e ir à faculdade.

Me lembro que quase um ano depois de tudo, sentia como se eu não tivesse alma, que ela havia me abandonado porque não suportava mais um corpo tão inútil. E eu acordei na manhã seguinte me sentindo a pessoa mais feliz do mundo, como se eu tivesse entendido isso como um presente. Ou melhor, me senti tão feliz que parecia que tudo que eu mais queria estava nas minhas mãos. Eu acordei e corri pelo campo gritando, me sentindo vigoroso. Depois do almoço sentei na beira do lago pra ver os peixes e comecei a chorar. Chorei sem saber o motivo, mas me senti como se eu tivesse perdido tudo o que me fazia viver. E essas confusões da minha cabeça começaram a me perturbar desde então. Quando meu psiquiatra soube disso, disse que eu tomaria Carbonato de Lítio pelo resto da minha vida. E desde então, tenho me sentido bem novamente.

O que eu senti por Túlio ainda não desapareceu completamente. Mas melhorou bastante depois que eu mudei minha vida. Acho que eu nunca vu me esquecer, mas não vou mais sofrer tanto por isso novamente. (eu espero)


Então, você já sabe como eu percebi que gostava de garotos e como um deles me fez tão mal.


Chad.

P.S.: Se tiver algum erro aqui, ou algo confuso, me perdoem, mas eu não tive coragem e nem vontade de ler esse texto de novo para corrigir.

3 comentários:

  1. Bipolar, Túlio, e lago, como vc n me conta essas coisas? .___.
    u_u

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  2. tiop, nossam tenso demais. Entao seus sentimentos pelo suposto garoto permanecem escondidos, erm. Vou calar-me

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