segunda-feira, 27 de julho de 2009

Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

Escrever, parece ser uma coisa tão fácil, tão simples e apática, mas no instante em que temos que organizar as palavras sobre o papel, isso se torna demasiado difícil, principalmente quando não se sabe sobre o que escrever.

Durante algum tempo da minha vida, eu me dediquei a escrever diários, mas a certo ponto, eu me pegava à lê-los e envergonhava-me de como eu conseguia ser tão estupido, não entendendo que as pessoas (principalmente eu) mudam muito, hoje eu (acho que) sei que isso é normal, pelo menos comigo, estou sujeito a mudanças de acordo com o ambiente em que me encontro. Estou em um lugar onde eu me sinto bem agora, protegido debaixo do meu cobertor, perto das asas da minha mãe onde me sinto uma completa criança.

Meu nome é Chad, sou filho de pai russo e mãe brasileira. Não vejo o meu pai há 5 anos e o único contato que tenho com ele é através da internet e telefonemas. Poderia dizer que o sr. Joshua não me faz falta, mas estaria mentindo, passei minha adolescência sem a presença do meu pai, e com o tempo fui me acostumando a não pensar muito nele, e dessa forma eu não sofro tanto quanto minha irmã Claire. Meus pais se separaram há 5 anos, desde então ele voltou para a Rússia e minha irmã e eu viemos para o Brasil com minha mãe, Marie. Meu pai diz que sente nossa falta, mas nunca veio nos visitar, diz que o trabalho não deixa que ele se afaste da Rússia. Mas não vou gastar muitas palavras falando desse assunto que m deprime e pode deprimir você também.

Nasci e cresci em Newark, uma pequena cidade em Nova Jersey – US. Vivi minha infância feliz com minha família. Meu pai sempre trabalhou com engenharia civil e engenharia de trafego. Minha mãe é assistente social, psicóloga e escritora, sempre foi uma mulher firme, independente, e a pessoa mais forte que eu já conheci. As lembranças que eu tenho da infância são boas, não posso esquecer dos fins de semana passados no nosso pequeno rancho no Brasil, dos passeios de cavalo, embora eu tenha ficado estéril por causa de um acidente aos 7 anos durante a aula de hipismo. Me lembro de assar mashmalow na lareira com minha irmã e primos enquanto a família ria das piadas do meu pai. Do lago congelado no inverno, dos bonecos de neve e do beijo de boa noite de Marie seguidos de biscoitos com uma xícara de leite morno.

Meus pais se conheceram quando minha mãe fazia uma viajem para Nova Iorque e foi surpreendida por um recapeamento da estrada que ligava Nova Jersey a Nova Iorque, o transito naquela área parecia não andar, e no pior momento o carro de Marie não conseguia dar partida, ela tentou por alguns instantes sem sucesso, e todos os motoristas histéricos que vinham atrás buzinavam, foi quando Joshua apareceu para ajuda-la, ele era o engenheiro que projetou o novo curso para a estrada, não vou detalhar essa história, pois ela não é o assunto principal e eu a conheço o suficiente para conta-la. Contudo, se casaram 6 anos depois, quando minha Marie tinha 27 anos e, Joshua 26. um ano depois eu nasci e 3 anos após, veio Claire.

Marie sempre foi mais atenciosa comigo do que Joshua, ele não demonstrava sentimentos paternos por mim, como ele fazia com Claire, e eu sempre vi nitidamente esse comportamento, acho que por isso não sofro tanto com a falta dele. Não me lembro de meu pai já ter ido assistir pelo meno um dos meus jogos de futebol na escola. Marie é que sempre esteve ao meu lado nos momentos paternos.

No meio da minha adolescência, mais exatamente quando eu saia da Midle School e entrava na High School, meus pais começaram a se desentender e até hoje eu não sei exatamente o motivo, mas parece que meu pai não aceitava a minha mãe ter um emprego e ganhar mais do que ele, sempre achei isso ridículo, Joshua descende de uma família conservadora com pensamentos medievais e não conseguia aceitar o fato de ser casado com uma mulher independente. Foi nesse ponto, quando o problema cresceu, que meus pais se divorciaram e meu pai voltou para a Rússia, porque os Estados Unidos enfrentava uma crise interna no mercado imobiliário que acabou abalando a economia mundial e Joshua trabalhava na área de imóveis com construção civil. O dia 07 de Julho de 2004 foi a última vez que eu vi o sr. Joshua.

Depois desse episódio, Marie decidiu voltar para o Brasil, estudar para o seu novo livro e morar perto da família. Então passei o resto da minha adolescência numa pequena cidade do interior de Minas Gerais com Marie e Claire, nossa casa era pequena mas muito confortável, eu podia montar novamente e a melhor parte foi a solidão, que sempre me fez falta desde quando viemos para o Brasil. Eu nunca entendi o porquê Marie nunca quis voltar pra Nova Jersey, eu sinto falta de lá quase todos os dias da minha vida. Mas deve ser por lembranças, ela é o tipo de pessoa que não vive de memórias, ao contrário de mim.

Sinto que já falei demais hoje, amanhã eu termino o que comecei hoje.


Boa noite, Chad.

3 comentários:

  1. Gostei de conhecer vc um pouco mais, Chad. Acho boa a ideia de cada dia te conhecer melhor. Espero q vc post todos os dias *-*. Eu estarei sempre lendo ;)

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  2. Você escreve bem Chadzinho *---*
    Herdou, provavelmente, da sua mãe isso.
    contonue escrevendo, que você , agora, possui um seguidor *--*

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  3. Obrigado Cindy e Will, vou continuar escrevendo e atualizando o Blog sempre que possivel :D

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